Sunday, February 01, 2009


"Não precisa de campanha para queimar a imagem do Rio. O carioca faz isso sozinho e muito bem."
Marcus Carvalho, leitor de O Globo, no sistema de comentários do jornal.

Mais uma vez a bile ufanista tupiniquim falou mais alto e os nossos carnavalescos conterrâneos ficaram ofendidinhos com uma peça publicitária de uma loja italiana (quem ainda se lembra dos pitis anteriores por conta de um episódio dos Simpsons e de um filmeco adolescentóide de terror?). O "motivo" agora é uma campanha italiana com personagens caracterizados com uniforme da polícia fluminense abusando de gostosas italianas. 

Aí veio o Eduardinho Paespalho, veio fulano e veio beltrano dizerem que não pode... que é uma afronta a imagem do país, que buá buá buá. 

E daí porra? Quantas vezes vossa senhoria já viu campanhas publicitárias, HQs, livros, filmes, peças de teatro, novelas, o escambau tratando do estereótipo do mafioso italiano da Cosa Nostra ou do criminoso japonês da Yakusa? Será que os governantes Israelenses dão um ataque de pelanca cada vez que se faz menção à mão-de-vaquísse do povo de Jacó? Então vai pastar ô ministro das Relações Exteriores, vai lamber sabão ô seu pseudo-prefeito carioca!!! 

Queriam o quê? Que a polícia do Rio fosse lembrada pela sua honestidade e zelo pelo cidadão? As máfias nacinais sempre foram motivo de forte ligação com a imagem dos seus países de origem: assim é com Cosa Nostra e Itália, com Yakusa e Japão... assim é com PMRJ e Brasil. Dar piti não vai ajudar em nada.

Aí o nosso nada nobre prefeito disse que a campanha é de mau gosto... pois pode mesmo ser. Mas raios: as novelas são de mau gosto, o funk é de mau gosto, o desfile das escolas de samba é de mau gosto, o axé baiano é de extremo mal gosto, até mesmo a feijoada e o acarajé  são de mau gosto (estes em todos os sentidos). Será que é prerrogativa brasileira? Quando foi que compramos o monopólio do gosto duvidoso?


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A Folha de São Paulo veiculava,  há alguns anos , uma das mais memoráveis campanhas da publicidade brasileira, o slogan dizia algo como :"É possível dizer um monte de mentiras falando apenas verdades, então é bom prestar atenção no que você lê". Não sei se era esta mesma a frase, mas a idéia era.

Irônico que neste post eu parta exatamente de uma matéria da Folha de São Paulo para discutir sobre como uma imprensa tendenciosa pode selecionar partes da verdade para contar uma grande mentira. Vejam como não há nenhuma mentira na matéria linkada: as mulheres realmente trabalham mais em atividades domésticas do que os homens, mesmo as mulheres que trabalham... mas a verdade por inteiro é muito mais complexa do que isso.

A matéria citada baseia-se na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) de 2006. Pesquisa esta na qual eu, inclusive, trabalhei no período em que fui funcionário do IBGE. Ocorre que a pesquisa não aponta apenas para o fato de que as mulheres (mesmo as trabalhadoras) ainda tenham mais tempo em trabalhos domésticos. Ela também aponta que as mulheres (mesmo as trabalhadoras) trabalham muito menos em atividades remuneradas. Na verdade os homens não só são a maioria absoluta da população ocupada como também ocupam os cargos com maior carga horária. 

Em 2006 cerca de 12% das mulheres trabalhadoras trabalhava menos que 14 horas por semana, entre os homens este índice era de aproximadamente 3%. Já no extremo oposto 25% dos homens trabalhavam mais que 49% enquanto entre as mulheres o percentual era a metade disso. As mulheres eram maioria numérica entre os trabalhadores que tinha carga horária menor que 14 horas e entre os que tinham entre 14-40; já entre os que tinham entre 41-44 horas, 45-48 horas e mais que 49 horas os homens eram imensa maioria. Os homens trabalham nas atividades mais laboriosas (indústria, agricultura, construção civil) e gastam bem mais tempo se deslocando de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Os homens são obrigados a abandonar a escola mais cedo para trabalhar, muitas vezes para ajudarem a sustentar a casa dos pais (isto explica o porquê de as mulheres terem nos ultrapassado em escolaridade). 

São dados importantíssimos, também revelados na PNAD 2006, mas a matéria não dá conta deles. Uma verdade isolada pode servir de matéria prima para se dizer um monte de mentiras, a Folha de São Paulo devia ser a primeira a saber disso.

Na verdade eu não acho que as mulheres devam ser responsáveis pelos afazeres domésticos só por serem mulheres, tanto que em minha casa eu sou o principal responsável por eles. Mas não há injustiça no fato de as mulheres brasileiras exercerem mais tempo de atividades domésticas EM MÉDIA. O que existe é uma dupla jornada  invertida: quem trabalha menos na rua trabalha mais em casa e vice-versa... É o meu caso: minha mulher trabalha mais tempo (eu tenho jornada de 20 horas por semana como funcionário público e ela trabalha 40 semanais em uma lanchonete) então é natural que ela chegue em casa e eu já tenha assado o peixe, feito o arroz e lavado os pratos. Se fosse o contrário seria tão justo quanto.

Há de se lembrar que mesmo para a maioria das mulheres que trabalham a obrigação do sustento da casa é do homem. É muito comum ouvir de suas próprias bocas frases como "eu faço uma fachininha para ajudar no orçamento doméstico" ou "quero um emprego para trabalhar para comprar as próprias 'besteirinhas'".

Se queremos entender que as mulheres não são as principais responsáveis pelos afazeres de casa (e eu entendo que não são)  temos que ao mesmo tempo e com a mesma intensidade combater a idéia arcaica de que o sustento da casa é obrigação do homem.  Fora disso a gente só troca os papéis de opressor e oprimido e a tal igualdade vai direto pro saco ou pro ralo,  é isto que esta imprensa preguiçosa e os movimentos feministóides insistem em fingir que não percebem.

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Esta massa é meu corpo e este molho é meu sangue, comam em lambança de mim. Monstro de Espaguete Voador em sua primeira ceia.
Minha vida simplesmente mudou após conhecer as verdades do pastafarianismo, ainda não entendo como tantas pessoas podem passar incólumes. Eu agradeço todos os dias e todas as noites pela misericórdia de Jah Pastafari e por me deixar viver e contribuir com minha existência para o fim do aquecimento global. Se você ainda não foi tocado pelos apêndices macarrônicos do espaguetão, leia os 8 condimentos desta receita sublime de espaguete a bolonhesa.

Para quem não sabe, os 8 condimentos foram entregues pelo Montro de Espaguete ao capitão Moisés quando este estava sozinho no alto de uma montanha (qualquer semelhança com alguma lenda antiga é mera coincidência). Na verdade eram 10 placas, cada uma indicando um desejo do nosso Deus sobre coisas que os seus seguidores não deveriam fazer, mas o capitão Moisés tropeçou enquanto descia da montanha e deixou cair duas das tábuas. Ficaram conhecidos como 8 condimentos porque quando Moisés chegou no navio pirata dizendo que tinha recebido mandamentos a tripulação, que era livre e não conhecia a palavra "mandamento", entendeu que ele tivesse dito condimento.

Os 8 Condimentos Macarrônicos (ou os 8 "Realmente preferiria que não")
1. Realmente preferiria que você não agisse como um santarrão imbecil que se acha melhor que os outros quando descrever minha santidade espaguetica. Se alguns não crêem em mim, não tem problema. Na verdade, não sou tão vaidoso. Além disso, isso aqui não é sobre eles, então não mude de assunto.

2. Realmente preferiria que você não usasse a minha existência como um meio para oprimir, subjugar, castigar, eviscerar, ou ... você sabe, ser mal para com os outros. Eu não peço por sacrifícios, e a pureza é para a água potável, não para pessoas.

3. Realmente preferiria que você não julgasse às pessoas por seu aspecto, ou por como se vestem, ou pela maneira como falam, ou... olhe, seja simplesmente bom, está bem? Ah, e que te entre na cabeça: mulher = pessoa, homem = pessoa, Samey = Samey. Nenhum é melhor que o outro, a menos que falemos de moda claro, sinto muito, mas isso eu deixei às mulheres e a alguns homens que conhecem a diferença entre verde mar e fúcsia.

4. Realmente preferiria que você não fisesse coisas que ofendessem a você mesmo, ou a(o) seu(ua) parceiro(a) amoroso(a) mentalmente maduro(a) e com idade legal para tomar suas próprias decisões. Quanto a qualquer outro que vier criticá-los, creio que a expressão é "não dê a mínima", a menos que você o ache ofensivo, em cujo caso você pode apagar o televisor e sair para dar um passeio, para variar.

5. Realmente preferiria que você não desafiasse as idéias fanáticas, machistas, e de ódio aos diferentes com o estômago vazio. Coma primeiro, depois vá ter com os escroques.

6. Realmente preferiria que você não construisse igrejas/templos/mesquitas/santuários multimilhonários à minha santidade macarrônica quando o dinheiro poderia ser melhor empregado em (a escolha é sua):

  • A. Terminar com a pobreza.
  • B. Curar enfermidades.
  • C. Viver em paz, amar com paixão, e abaixar o preço da televisão a cabo.

Posso ser um ser onipresente de carboidratos complexos, mas disfruto das coisas simples da vida. Eu sei, por isso SOU o criador.

7. Realmente preferiria que você não andasse por aí contando às pessoas que eu falo com você. Você não é tão interessante. Cresça! Te disse que amasses ao teu próximo, você não entende as indiretas?

8. Realmente preferiria que você não fizesse aos outros o que você gostaria que fizesse a você se você gosta de... eh... daquelas coisas que usam muito couro/lubrificante/Las Vegas. Mas se a outra pessoa também gostar da brincadeira (conforme #4), então aproveitem, tirem fotos, e pelo amor de Mike, usem CAMISINHA! É verdade, é um pedaço de borracha. Se eu não quisesse que vocês gostassem de brincar eu teria colocado pregos no play-ground ou algo assim.



Se você se interessou pela beleza das crenças pastafarianas e quer saber mais sobre os planos que o Montro de Espaguete Voador tem na sua vida e sobre como você pode contribuir para o fim do aquecimeto global se tornando um pirata, não deixe de acessar os links abaixo:

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Thursday, March 13, 2008



Finalmente Fernando Ético Gabeira decidiu aceitar nossas desesperadas súplicas e se candidatar à Prefeitura do Rio. Não sei se este moleque velho a quem eu (como tantos brasileiros) aprendí a idolatrar a medida que suas ações se demonstravam tão francamente de acordo com suas (belíssimas) idéias vai ganhar. Mas em uma eleição que parecia fadada a se polarizar entre o horrível e horroroso é bom saber que eu vou poder votar com gosto.




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Triste que em algum lugar do mundo, qualquer que seja, o fato de alguém fazer sexo com prostitutas seja razão para que este alguém perca um mandato político. Não tenho como opinar sobre o tal governador como político, mas não posso deixar de lamentar a sexualidade de alguém (mesmo de um governante) ainda seja tratada como assunto público em tantos lugares do planeta.

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Wednesday, August 08, 2007


A Associação Brasileira de Propaganda lança nova campanha :"Toda censura é burra!". A campanha tem como intenção convencer a massa analfabeta deste paiséco de merda a concordar com a tese de que leis como a que proíbe a propaganda de cigarros ou que exige que sejam publicadas mensagens de esclarecimento sobre os riscos no uso abusivo de remédios ou bebidas seja uma agressão ao estado democrático.


Na real, as motivações da organização não têm nada a ver com direito democrático ou liberdade de expressão. O que as agências afiliadas à ABP querem é voltar a fazer suas belas campanhas publicitárias com fumantes subindo o pico do Himalaia lépidos e vistosos (como se fumantes conseguissem subir sequer um lance de escadas sem ter uma crise de asma); querem aumentar os lucros com a exibição de campanhas publicitárias de remédios e bebidas (se eles deixarem de ser obrigados a fazer advertências como "consulte um médico antes de usar" eles ficam com mais espaço para fazer propaganda)...

A última coisa com a qual a ABP está preocupada é com liberdade de expressão ou democracia. Mas tem gente que acreditar no discursinho babaca (além de tudo a campanha é extremamente mal feita, do ponto de vista técnico: o roteiro é ruim; os trocadilhos são infames e os atores, péssimos ) e vai assinar a tal petição, querem ver só?

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Exixte rock'n roll além de Evanescense, Limp Biskit, Slipknot e Linkin Park? Quem mora no Rio pode ter dúvidas, afinal a cena rock da cidade nojentosa foi tomada por um bando de funkeiros vestidos de preto e all star coturno que fazem parecer que rock, axé e calipso são farofas do mesmo ovo podre.

É... mas uma passeadinha de leve num Youtube desses da vida é suficiente para tirar esta impressão, rapidinho. Aí vai uma seleção de vídeos do Black Rebel Motorcycle Club. Banda estadunidense que (como uma porrada de outras) não é tocada na MTV nem vendidas nas Lojas Americanas nem covereada no Garage. mas nos faz respirar aliviados. O bom velhinho tá tão vivo quanto esteve nestes últimos sessenta anos.

Vida longa ao Rock'n Roll!!!
http://br.youtube.com/watch?v=TLu7Iv-72Mc
http://br.youtube.com/watch?v=Mw2gU7SKdwg
http://br.youtube.com/watch?v=JlJvhQHR5sg
http://br.youtube.com/watch?v=2TCg6Sdkivs

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Monday, July 30, 2007


Movimento Cansei (saiba quem apóia, depois decida se vai ser besta de apoiar também)

OAB-SP
ABERT (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV)
ABRAPHE (Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero)
Associação Comercial de São Paulo
ADVB
AESCON-SP
CJE FIESP
CREA
Conaje
Conselho Regional de Medicina
FEBRABAN
FIESP
FIESP - Jovens Líderes
Fundação PIO XII
Grupo de Mídia
Grupo de Jovens da Associação Comercial
Instituto de Estudos Empresariais - IEE
JLIDE
LIDE
LIDEM
SESCON-SP
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Mostre ao mundo o quão filho da puta você é: solte (ou deixe que seus filhos soltem) pipa e balão.


Uma clara e inequívoca demonstração do Ethos perverso deste país escroto em que vivemos é aquela "inocente" brincadeira de soltar pipa. Em um primeiro contato um holandês ou um canadense provavelmente pensaria isto mesmo dos malditos papagaios: uma inocente brincadeira infantil, diria ele. Afinal de contas que mal há em amarrar um pedaço de linha a um artifície de papel e bambu? Graça pode não ter, mas mal também não, pensaria o gringo.

Mas duvido que um holandês mantivesse esta mesma posição durante muito tempo: perceberia que os moleques que soltam pipa neste paiséco de merda não se limitam a amarrar um trambolho em uma linha e fazê-lo voar. O tal gringo veria logo que faz parte da "brincadeira" pular o muro do vizinho e quebrá-lhe as telhas da casa; atravessar desesperadamente ruas movimentadas atrás de avoadas e, com isso, colocar a vida de motoristas em perigo; e sobretudo colocar em risco extremo a toda a sociedade por conta dos maldito cerol.

Então o holandês iria se perguntar: que merda de país é este onde os pais incentivam os filhos a participarem de uma diversão que consiste em destruir a propriedade alheia e colocar em risco a vida de outros indivíduos?

O conjunto de valores que rege uma sociedade qualquer pode ser exemplificado por coisas banais como uma brincadeira, uma lei diferente, uma regra de etiqueta.

O que exemplifica melhor o modo de viver em sociedade eleito como ideal pelo holandeses, me parece, é a legislação sui generis deles sobre temas como drogas, prostituição e homossexualismo: o que cada um faz com sí próprio , acreditam eles, não deve ser controlado pela sociedade; porém a partir do momento que nossas ações interferem na vida dos outros elas deixam de ser livres e passam a merecer intenso controle social. Parece que escolhemos a via inversa.

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Friday, July 27, 2007




Até ontem eu estava plenamente certo: a melhor banda de rock da atualidade é aquela do Jack White, o White Stripes. Pois agora fudeu: acabo de conhecer (tardiamente, os moleques já estão partindo para o segundo álbum) o The Raconteurs.

E agora? A melhor banda da atualidade é aquela do Jack White ou aquela do Jack White?

Isso! The Raconteurs é o projeto paralelo do parceiroex-irmãoex-maridoseiláoquemais da baterista gatinha que não toca nada mais dá um charme, Meg White. O som parece tão competente quanto.

Vale a pena dar uma zouvida. Jack White really rocks!!!!

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Depois de duas semanas de vexame, a imprensa parece que resolveu se dar conta da babaquice que têm sido as vaias a atletas estrangeiros no Pan. Começam a pipocar nos jornais críticas (algumas ferozes) a gentalha que tem comparecido aos estádios do Rio; e ontem o Jornal Nacional deu uma nota de um minuto e meio (ou menos) sobre o assunto. Antes tarde que nunca? Sei lá, talvez se a imprensa tivesse feito antes o seu papel a corja carioca tivesse tomado um chazinho de simancol e a cidade tivesse sido poupada de passar por (mais essa) vergonha.

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Quem curte classic rock e vive no Rio precisa conhecer duas bandas cover que têm em comum parte do nome, o tecladista e uma puta competência sonora: Blackbird (The Beatles) e Black Dog (Deep Purple e Led Zeppelin).

A primeira eu conheço há mais tempo: cerca de um ano e meio. Puta zoeira psicodélica! Os caras realmente conseguem incorporar o espírito genuinamente rock'n roll dos 4 from Liverpool. Os caras têm uma agenda bem movimentada e de vez em quando fazem uns showzinhos na faixa (geralmente em shoppings).

Já o Black Dog eu só conheci há algumas semanas, embora já viesse escoltando os caras faz um tempo (a agenda deles é bem menos extensa e tava difícil deles irem a um local que eu tivesse facilidade de acesso: precisei ir parar num cú de judas nos cafundós de Campo Grande pra ver qual era, valeu a pena!). Tocando Led eles são bem competentes, mas tocando Deep Purple é o diabo encarrancado fazendo zuêra! Sinceramente eu nem sou lá muito fan do quinteto britãnico, mas o Cachorro Preto do Rio parece melhorar o som da banda de Ian Gillan (tá bom, é certo que minha capacidade crítica depois de um pouquinho de chopp, um pouquinho de vinho, um pouquinho de Caracu e um pouquinho de Caninha da Roça, mas o som é fodêra mesmo. 8-))

Confira!

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Tuesday, July 24, 2007

Orgulho de ser brasileiro eu nunca tive; vergonha também não seria o caso ( evito o máximo que posso merecer culpa por esta sociedade chinfrim em que dei o azar de nascer: não posso sentir vergonha pelos outros). Na verdade o Brasil sempre me deu o olfato de algo entre o fedido e o não cheiroso, mas desde a semana passada sinto nojo deste pedaço de terra safada entre o Oiapóque e o Chuí. A atitude desta corja brasileira no Pan Rio tá me dando náuseas do país e já me faz equiparar a Tupiniquilândia às duas pátrias mais malditas que eu conhecia: Israel e Índia.

Assisto jogos internacionais desde uns quinze anos atrás. Fico vidrado em frente a telinha e dela ví espetáculos de Judô em Barcelona e de ginástica em Atenas. De esqui em Salt Lake City e de patinação em Torino. De vôlei em Winnipeg e de Futebol em Sidney.

Jamais assistí uma vaia a um medalhista de ouro, inda menos a uma atleta que tenha vencido tão lealmente como Rosário Espinosa, que derrotou, na decisão do TaeKwonDo, a Natália Falavinho (esta sim, extremamente arrogante: comemorou um golpe frouxo antes que os juízes validassem e acabou toda sem graça ao ver que a vitória tinha sido da mexicana [que tinha humildemente esperado a decisão dos juízes para comemorar]).

Tampouco tinha tido o desprazer de assistir (em qualquer uma das dezenas de olimpíadas, olimpíadas de inverno e pans que trago em mente) um estádio inteiro vaiar em uníssono uma ginasta intantes antes de ela saltar, como ocorreu à uma das meninas cubanas. Bastava que ela não fosse bem para que a Jade Barbosa ganhasse o ouro, a torcida não pensou duas vezes em soltar mais um coro vaioso e a cubana se estabacou de cara no chão [um salto de ginástica exige extrema concentração, por isso, nos países minimamente civilizados, antes de cada salto, de qual atleta for e sejam quais forem as circunstâncias, se faz silêncio absoluto]. Bem, por muito menos...pela atitude deprimente de um único idiota e não de milhares como por aquí, Vanderlei Cordeiro virou herói e recebeu a Medalha Pierre de Coubertin. Se for pelo grau da ofensa, a ginasta cubana merece umas dez destas.

Enfim: nesta bosta de país onde tudo é culpa dos políticos (que, pelo papo que ouço nos ônibus e bares nem parecem ser eleitos), onde pipa e balão são consideradas saudáveis brincadeiras infantís, onde a frase que rege todo o conjunto de fenômenos sociais (relações de trabalho, jogos amorosos, decisões político-administrativas e etc...) é a que diz que "se deve sempre encontrar um jeito levar vantagem, em tudo" e onde a figura mais representativa de cada indivíduo é um sujeito trapaceiro, vagabundo e desrespeitoso: o malandro; eu perdí totalmente a esperança, e também a paciência.

Alguém me dê um visto e uma passagem pro Congo peloamordedeus!

Ps.: Não tenho sido um dos maiores fans do Lula: votei nele com muita vontade em 2002 e por falta de algo menos ruim no 2º turno de 2006; mas acho que eu fosse ele eu me sentiria aplaudido por cada vaia recebida. Receber vaia desta gentalha imbecil deve soar como elogio. Os argentinos é que estão certo, não somos mais do que chimpanzés.

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Bom, vou ressussitar esta bosta repostando algumas coisas (que eu achei bem) legais postadas no blog antigo :

Talvez.. quem sabe?

E se deus é sinistro
e criou com a mão direita?
Isso sim, deve explicar as coisas deste mundo.

Sem amor todo mundo se fode.

Bruninha sempre tinha ouvido dizer que menina decente casa virgem.Seu pai a ameaçava, sua mãe a vigiava e Bruninha namorava escondido na saída da escola mas não dava.

Léo sempre ouvira dizer que homem que é macho passa a piróca em qualquer galinha que der mole.Mas ele namorava Bruninha e Bruninha sempre tinha ouvido dizer que menina decente casa virgem e seu pai a ameaçava.

A mãe de Bruninha vivia falando que menina namoradeira fica falada e Bruninha não tinha apresentado Léo a mãe, pois não queria que ela ficasse falando.

Léo insistia que Bruninha tinha que dar e dona Lúcia ( que é a mãe de Bruninha), mesmo sem saber do que Léo andava pedindo à Bruninha ameaçava: se Bruninha inventasse de dar o pau ia comer.
Mas dizia isso em tom ameaçador e Bruninha já tinha muito medo de o pau comer.

Bem, tinha medo mas também tinha desejos que confrontavam-se com o medo.
Então o instinto deu as cartas, mas foi doloroso e insosso e Bruninha não conheceu o clímax pois Léo queria fodê-la e não fazê-la gozar, e como o medo não dá aula particular de instrução sexual Bruninha logo engravidou e, como o pau já tinha comido à algum tempo, não havia mais o que ser feito, então a Bruninha e o Léo e a mãe da Bruninha e a mãe do Léo e os pais também e principalmente Laís que nasceu em março com três quilos e quatrocentos gramas se foderam.

Rememoranças

Certa vez visitei um templo Romano, foi no Rio de Janeiro.
Não era assim uma visita de amigos que querem se ver mas, de qualquer forma, eu estava lá e precisava aproveitar.
Havia muitos cavalheiros, e muitas damas, todos bem vestidos como convém àqueles que visitam um castelo.
Havia carros suntuosos no estacionamento da Igreja de São Bento.
E havia mendigos esfarrapados esperando a missa acabar, alheios aos poderes da igreja, porém atentos às suas esmolas.

Durante o ritual monotônico os monges entoavam louvores
(os monges e as freiras me incomodam, parece-me que sobre aquelas roupas estranhas está escrito:quem ama não pode ser filho do Amor,e eu, que não creio no Amor mas amo, tenho brotoejas quando os leio)
Enquanto isso alguém que pertencia ao culto, que não sei sacristão padre beato pois sou distante destes assuntos eclesiásticos, segurava uma lata de incenso
E a fumaça, que inundou a nave do templo, me fez lembrar de Joana D'arc.

Aqui jaz.

A gigante acinzentada e reluzente esvaia-se nas areias reluminescentes e finas da Prainha.Era um sábado quente de inverno e Júlia Scalamandrè não teria convencido Arnold Nisserkind a sair do apartamento no Catete e atravessar a cidade não fosse a comoção pública ocasionada pelas recorrentes reportagens sobre a baleia encalhada, moribunda, perdida de seu habitat.
Ao chegarem, as equipes de jornalismo trabalhavam com afinco em busca dos melhores ângulos da gigante, de depoimentos dos pescadores que presenciavam o sofrimento da jubarte desde o início.Os bombeiros tentavam devolver o monturo de carne e banha ao oceano ainda viva enquanto ambientalistas regavam Danúbia com água colhida do mar em baldes, no intuito de minimizar-lhe o sofrer, time que logo ganhou o reforço do casal, que apanhou dois providenciais vasilhames no carro para também ajudar a salvar a natureza.
Esforços em vão, pois após 29 horas definhando, a baleia, exausta, expirou. E o fotógrafo, atento, captou a imagem que dali a poucos minutos estamparia a manchete na versão eletrônica do grande jornal:ao crepúsculo, Júlia e Arnold choravam abraçados ao bichão.
Foi difícil, durante todo o domingo,apagar a angústia.Pelas seis da tarde foram ao cinema e, chegando, avistaram uma pequena aglomeração na porta:um crioulinho sujo e desdentado tendo um ataque, provavelmente devido à cola de sapateiro.
Pediram licensa e entraram sem comprar o combo habitual, pois estavam atrasados.

Monday, January 29, 2007


República Islâmica Fluminense




Há quatro anos passou pelo CCBB a exposição Entre Extremos, conjunto de vídeo-instalações da iraniana Shirin Neshat que dialogava sobre a segregação de gêneros, tão comum nos países islâmicos. Talvez, se desembarcasse por engano no Rio de Janeiro, pensando ter descido em Teerã, Shirin nem percebesse a diferença.

Se resolvesse pegar o trem da cidade dita maravilhosa a moça não estranharia o fato de haver um vagão reservado exclusivamente às fêmeas da espécie: na capital iraniana também existe esta lei. E em mais um bando de locais onde dominam sociedades profundamente machistas eles são encontrados : no Cairo, capital egípcia; em Tóquio, capital japonesa; em Mumbai, cidade indiana. Aliás, esta é a mais cômica das observações que alguém que se proponha a refletir sobre o tema pode fazer: a lei do vagão feminino é antes de tudo (pasmem-se apenas os idiotas que ainda não tinham observado isto) machista. Remonta períodos da nossa história nos quais as meninas eram enfiadas em colégios de freiras e as mulheres trancafiadas em casa. Só em sociedades profundamente patriarcais, que tratem as mulheres como indivíduos assexuados como (olhem que coincidência) a japonesa, a iraniana e a egípcia se consegue admitir tal estupidez.

  • O Rio de Janeiro é o estado com maior proporção de pentecostais no país. O pentecostalismo é a vertente protestante que mais se aproxima do islamismo, seja pelo ritual (cheio de gritos, lamentos e auto-penitência), pela devoção fundamentalista, pelo modo de se vestir (são pentecostais aquelas mulheres esquisitas que passam com uns vestidões em tons pastéis pelas ruas cariocas), ou pela profunda repressão à sexualidade. A ex-desgovernadora Rosinha Matheus, que sancionou a lei, é pentecostal.

  • A premissa de que as mulheres são vítimas da tara masculina é falsa. Ou pelo menos não é mais verdadeira do que a afirmação de os homens são vítimas da tara feminina. Na verdade, na imensa maioria dos casos, quando uma mulher grita que está sendo enrabada dentro do metrô ou do trem ou do ônibus por algum tarado, na verdade o que está ocorrendo é um contato inevitável por conta, exatamente, da superlotação. Semana passada mesmo eu andava no trem, de repente o vagão começou a lotar, a lotar…uma menina (que, inclusive, estava com o namorado) veio de ré, e o trem lotando, e ela vindo de ré; de repente estava ela com o rabo engatado no meu dito cujo. Não havia outro jeito, eu só tinha um lugar para me apoiar, o que me obrigava a ficar naquela posição; ela idem. O que ocorreu em 999.999 vezes de cada 1mi das cartas enviadas por mulheres pudicas à Asembléia Legislativa do Rio e que deram ao nobre deputado a magnífica idéia foi isso.

  • Mas alguém talvez diga: mas há realmente casos em que o cara enraba a mulher de propósito. Sim, da mesma maneira como há casos de mulheres que fazem o mesmo. Dia desses mesmo o jornal O Dia publicou uma carta de certa leitora desesperada. A moça relatava ser tarada por vagões lotados do metrô e pedia conselhos ao psicólogo que tem uma coluna no jornal. É sério, foi publicada em meados do ano passado, eu só não sei a edição. A carta dizia mais ou menos isso "Sou casada, amo meu marido, mas não consigo controlar a tara que tenho por pegar metrô lotado e me esfregar em homens. O que que eu faço?". A resposta dada pelo especialista foi de que se o relacionamento não estava sendo prejudicial, se o marido entendia e aceitava a tara da esposa, então tudo bem, ela devia seguir em frente sem remorços. Talvez o tal psicólogo não tenha levado em conta que o tal homem do metrô talvez não quisesse ser "embundado", não é mesmo?
O que mais me irrita é a absoluta paz que reina; um ou outro post esbravejante em algum blog que, como este, ninguém lê. Uma ou duas comunidade no Orkut com meia dúzia de gatos pingados cada... mais nada, absolutamente nada. A SuperVia acabou de contratar seguranças privados para assegurar o cumprimento da lei. No Metrô, situação idem.

Deste jeito eu vou acabar ganhando na Loteria e me mudando pra Jerusalém. Ouvi dizer que lá a moral religiosa fala mais baixo.


http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1872
http://dionnara.blog.terra.com.br/2006/05/
http://www.ntu.org.br/redes/oficial/novidades.asp?codConteudo=79

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Se calha de alguém me pedir um bom motivo pra se tornar doador de sangue, periga eu não achar uma boa resposta. É um ato tão banal, é como ajudar a velhinha a atravessar o sinal, ou deveria ser.
Mas eu conheço "gente" que diz que só doaria se fosse para algum parente. Eu conheço "gente" que é capaz de dar um piti porque o filho chegou em casa dizendo que doou sangue (minha sogrinha querida: Regina Célia de Almeida Soares , professora de catecismo, católica das mais devotas, cheinha de amor de deus no coração)... Talvez é porque nunca ninguém tenha lhes dado um bom motivo para doar. Talvez seja preciso arrumar um motivo. Mas qual?